(MÚSICA) - O Rock é imortal, mas deverá passar por uma crise

10/05/2014 11:58

Por Gustavo Magnusson

  Um dos gêneros mais influentes, abrangentes e amplos do mundo da música, o Rock’n Roll não está em extinção e não irá acabar. Seus traços característicos sempre serão lembrados, seus rastros nunca desaparecerão, sua reputação sempre será respeitada e seu nome sempre estará sendo honrado. Seu extenso legado, deixado por todas estas últimas décadas, é o suficiente para impedi-lo de morrer. Ele sempre estará em pauta. Não tem como desaparecer assim, do nada. O problema que entendo haver é outro: a forma como ele vem deixando de ser popular e a preocupante perspectiva de falta de referências e, consequentemente, de adeptos para um futuro próximo.

  A mídia e a indústria musical estão cada vez mais em busca de boy bands, de astros pop, de praticantes da música eletrônica e de rappers. One Direction, Katy Perry, Avicci e Pharrel Williams são, respectivamente, exemplos destas novas ondas musicais que imperam. E não se trata aqui de fazer uma crítica ou um repúdio a essas categorias e a essas personalidades, embora alguns às vezes mereçam. O objetivo aqui é dizer que já há algum tempo o mainstream não está direcionado ao Rock, o que afeta sua popularidade e faz faltar referências deste meio para o futuro. Um declínio e uma entressafra duradoura de ídolos estão à vista.

  Os loucos por Rock são inevitável e extremamente dependentes e reféns dos monstros, dos mitos, dos lendários e dos verdadeiros roqueiros dos anos 60, 70, e 80. Desde o Heavy Metal e o Punk Rock até o Grunge e o Rock Progressivo, a quase total maioria das bandas que são referências nos dias de hoje nasceram nestas décadas. Só que todas essas bandas e esses figurões jurássicos que resistem até hoje têm prazo de validade estourando, em breve pendurarão as chuteiras e infelizmente partirão desta para uma melhor.

  Aqueles moleques cabeludos que fizeram do Rock uma febre de proporções estratosféricas no passado são quase vovôs hoje. A média de idade dos integrantes do Rolling Stones é de 69.5 anos, a do Rush é de 60.3, a do Van Halen é de 59.6 (excluindo Wolfgang Van Halen, 23, filho de Eddie Van Halen), a do Kiss é de 58.5 e a do Iron Maiden é de 57.5. Enquanto isso, Ozzy Osbourne (ex-Black Sabbath), Steve Tyler (ex-Aerosmith), Lemmy Kilmister(do Motörhead), Dave Mustaine(ex-Megadeth) e Alice Cooper batem à porta dos 70. Já o AC/DC anunciou retorno aos estúdios para este mês de maio e uma turnê comemorativa dos 40 anos da banda para os próximos anos – serão 40 shows pelo mundo: será praticamente o ‘grand finale’, o adeus em grande estilo do histórico grupo. Quanto ao Led Zeppelin, fica no ar o mistério e a esperança por uma possível volta, mesmo que o ex-vocalista da banda, Robert Plant, tenha rechaçado essa possibilidade - depois da morte do baterista John Bonham, em 80, o Zeppelin praticamente acabou, só voltou a se reunir para tocar em raras ocasiões especiais. E tudo isso sem falar dos tiranossauros Paul McCartney e Ringo Starr, ex-Beatles.

  Estes próximos dez, vinte anos serão difíceis. Corresponderão aos últimos suspiros e aparições destas lendas nos palcos. Temos que aproveitar ao máximo enquanto estiverem ativos. E torcer para que não haja desentendimentos como os que encurtaram o tempo de vida do Pink Floyd e do Oasis. Devemos curtir e apreciar cada momento dos próximos festivais de Rock como se fossem os últimos, tentando ao mesmo tempo localizar gente capaz de empolgar e dar continuidade à ordem em grande estilo.

  Felizmente ainda haverá, a médio prazo, quem possa representar o Rock de forma digna: os quase cinquentões de Metallica, Pearl Jam, Red Hot Chilipeppers, Foo Fighters e Alice In Chains(que não é mais o mesmo depois da morte do vocalista Layne Staley, em 2002, mas ainda é muito bom) e os quase quarentões de Linkin Park, Matchbox Twenty e Goo Goo Dolls, estes dois últimos praticantes de um rock mais leve e alternativo, mas que me agradam bastante. Mas vai ser pouco e não serão eternas!

  O que vem emergindo bastante, entretanto, são bandas satânicas de Rock psicodélico e de Death Metal, especialmente provenientes da Escandinávia, como o sueco Ghost B.C., que participou do último Rock in Rio, mas não é lá o tipo que se espera para reerguer e sustentar uma nova geração de legião de fãs.

  Falando em Escandinávia, encerro com a opinião do dinamarquês Lars Ulrich, baterista do Metallica, a respeito do futuro do Rock: “Eu acho que seria impressionante se houvesse uma banda que viesse e agitasse tudo de novo. Eu só não sei quem vai ser. Eu acho que a banda mais legal para mim nos últimos dois anos é o BARONESS. Eu também adoro a banda norueguesa KVELERTAK. Mas eu não sei se qualquer uma dessas bandas poderá alcançar o auge, infelizmente”.